segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

7faces - caderno-revista de poesia, Ano IV, 8 edição, ago-dez. 2013









Organização
Pedro Fernandes de Oliveira Neto
Cesar Kiraly

Capa
Lasar Segall

Projeto gráfico, editoração eletrônica e diagramação
Pedro Fernandes de Oliveira Neto

Páginas
198

Formato
edição eletrônica

Autores desta edição
Nina Rizzi, Tâmara Abdulhamid, Mario Filipe Calvanti, Calila das Mercês, Cristiana Cangussú, Mauricio Duarte, Edson Bueno de Camargo, Léo Prudêncio, Guilherme Dearo, Luiz Otávio Oliani, Nuno Brito e Rui Tinoco.
Autores convidados
Ana Carolina Machado Diniz, Bruno Santos Pereira da Silva, Vinicius de Carvalho Serafim, Adriana Borges, Daniel Gil.

Descrição
TODA EXPERIÊNCIA POÉTICA NASCE DA VIVÊNCIA
A vivência com a palavra poética denuncia que no mundo há outras perspectivas que precisam ser avistadas; seria uma pasmaceira olhar para todo o lado e apenas vê-lo como um milagre ad infinitum de rios, mares, florestas, bichos, montanhas, céu e gente. Talvez tenhamos um débito maior do que pensamos com Eva – a primeira a não contentar-se com esse espetáculo limitado da natureza e a mergulhar na linguagem para abrir-nos a outras naturezas mais complexas e ora igualmente belas como a comum ora não assim tão belas, porém igualmente necessárias. Só há coerência nas coisas quando conseguimos ao menos provar do real enquanto vivência do belo e do horror, sendo por este ângulo de via dupla, a possibilidade de encontrar o sentido para a existência.
Fora isso, há duas coisas que, paradoxais como são, demonstram algum sentido para a existência: uma, a própria vida; a outra, aquilo que vimos fabricando como algo por vezes superior à coisa primeira, o amor. Por mais que nos esforcemos de provar algo sobre essas duas coisas, dificilmente encontraremos o ponto final para elas – nem mesmo na morte, o ponto final apenas para quem morre. O já construído e o ainda por construir, por mais esforço feito para alcançá-las em sua plenitude, não nos dará razão de alcançarmos ou de que alcançaremos porque somos capazes de nos alimentar apenas de pequenas porções delas. Mas há nessa relação os que se apossam da vida e do amor para tirar deles o máximo para sua existência.
A estes damos o nome de poetas; são também os que alcançam o sentido de que o limite indispensável à existência emana pela palavra – como se a vida e o amor descobertos, explicados, só aí pudessem ser apreendidos, se não em essência, mas em existência. Aqui chegado, custa ver quais os que de fato têm encarado com essa força o ato de existir. Numa ocasião qualquer o romancista português António Lobo Antunes se perguntou, num tom jocoso até, como podia ser um bom escritor um homem que nunca trepou, isso ao se referir a Fernando Pessoa. É insuficiente experimentar o mundo apenas pela sensação dos sentidos ou da palavra escrita; há que esquadrinhá-lo com o corpo, experimentá-lo com a própria vida. Isso parece a grande resposta desenhada por Lobo Antunes quando se refere ao fato poético: há maturação linguística, sim, há, mas não passará de uma maturação desenxabida se não imprimir-se na maturidade a verdade do vivido. Ou se essa verdade é substituída pela fantasia e o devaneio imitatório numa tentativa vã de alinhar-se à vida vivida.
O poeta deve padecer as forças do mundo; ser errante. Estar onde outros nunca ousaram estar. A poesia, afinal, só faz sentido se for compreendida num sentido maior do que só a palavra numa página. É necessário que daí ela pulse e torne palpáveis as outras naturezas escondidas na natureza comum. Do contrário, o poeta estará a serviço apenas de encobrir o já encoberto e tornar ainda mais brumosa as superfícies já brumosas; que a luz não se revele em sua totalidade é coisa, que ela totalmente se oculte é outra. E não esta última posição a de se alcançar pela palavra sob pena de ser a poesia um mero espanto sobre as coisas quando deve ser espanto, encanto e revelação.
Foge da inexperiência Vinicius de Moraes. Basta para consumar isso como uma verdade se ater à corriqueira constatação de sê-lo o poeta do amor; não em todas suas formas, mas ao menos numa ressignificação do amor romântico, desafogando-o do patético ou do engodo discursivo. Mesmo sem dizer, suas razões estão muito presentes quando encontramos num soneto ou poema qualquer um eu-lírico estilado em sensualidade e erotismo numa busca quase possessiva pelo corpo fêmea; busca idealizada e não idealizante, muitas vezes realizada ou outras vezes, voz embalada pela simples necessidade de provar daquilo que nos aproxima do divino, uma instância primaveril de sua poesia, o gozo. Não apenas no tema – e o temário da poesia viniciana não se finda nisto – a vida e o amor pela forma outra de apresentação dará ao autor uma forma muito própria de engendramento de uma sintaxe que ora atenta para o que se produzia no seu tempo ora o ultrapassa. Por exemplo, Vinicius se aproxima do movimento modernista ao ressignificar determinadas formas poéticas e trocar o idealismo com que se forma sua primeira poesia pela materialidade do mundo, mas ultrapassa as feições do que era praticado pelos modernistas ao não reduzir o poema a mera forma e aproximação com o comezinho; o poeta expandir isso pela façanha ora de engajá-lo de um forte sentimento social ora de arregimentar um novo tônus para a existência do poema. O que talvez o tenha feito poeta menos popular em alguns círculos se deva ao fato de não ser um poeta que buscasse desmesuradamente o desvio como buscaram os modernistas e os que vieram depois deles. A preferência pelo soneto já dirá bem isso.
Tardiamente terão insistido em fazê-lo erudito; principalmente parte da crítica nacional, desocupada em compreender o fenômeno literário e afeita à pompa e entronização da arte. Todo esforço do tipo até agora se perdeu e poderá ser vão. Que a obra deixada por Vinicius de Moraes não permite devaneios; o que é para ser, aí está: uma poesia do mundo, sobre a vida e o amor, estas duas coisas experimentadas como se fossem o limite da existência e isso só lhe bastasse para a composição de sua voz poética; o mistério do cotidiano perpassa essas duas coisas e é para sua forma ilimitada que aponta a dicção de seu verso.
Pedro Fernandes
Poeta e editor da ideia
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quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

sábado, 11 de janeiro de 2014

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

A máquina lírica de Herberto Helder - no CCSP



A máquina lírica de Herberto Helder

Recital dedicado à poesia de Herberto Helder, um dos mais expressivos poetas contemporâneos de língua portuguesa. Com Claudio Willer, Mariana Ianelli, Lílian Jacoto, Alex Dias, Máh Luporini, Natália Barros, Edson Bueno de Camargo, Maria de Fátima, Claudio Daniel, Lelia Maria Romero, Karine Kelly Pereira, Célia Abila, Charles Gentil, Shirleide Valença e Rita Alves.

Sexta-feira, dia 24/01/2014, das 20h30 às 22h

Sala Adoniran Barbosa - CCSP - SP 
 
 
Endereço: Rua Vergueiro, 1000 - Paraíso, São Paulo - SP, 01504-000
Telefone:(11) 3397-4002