quinta-feira, 5 de agosto de 2010

II Concurso Nacional de Poesias Cabeça Ativa - 2009 - Série Poemas Premiados


trinta e sete rosas



trinta e sete rosas
explodem para o sol

luzem o branco de dunas
ventre de sal corrosivo
fantasmas das velhas salinas
o casco de velhos vapores

mal a haste as sustentam

zombam da gravidade
esperando a gravidez
sexo esbelto e formoso
em busca da fecundação




II Concurso Nacional de Poesias Cabeça Ativa –Classificação entre os doze poemas selecionados e publicados em calendário poético do ano de 2010 - Cabeça Ativa produções Culturais – São Vicente - SP- 2009

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Conversa sobre o novo livro de Cláudio Willer, Um obscuro encanto: gnose, gnosticismo e poesia moderna



Conversa sobre o novo livro de Cláudio Willer, Um obscuro encanto: gnose, gnosticismo e poesia moderna, publicado pela editora Civilização Brasileira. O livro tem 462 páginas. Trata-se da versão editada (com alguma redução e também acréscimos) da tese de doutorado em Letras de Willer, apresentada à USP em 2008. Na primeira parte, examina e discute as doutrinas gnósticas; na segunda, trata de suas conexões, heterodoxas e paradoxais, com uma diversidade de autores, do Romantismo até hoje: William Blake, Novalis, Nerval, Baudelaire, Rimbaud, Lautréamont, Mallarmé, Pessoa, Breton e surrealistas, Dario Veloso, Hilda Hilst etc.


Edson Bueno de Camargo - Este livro é muito esperado, principalmente por pessoas que como eu, participaram de oficinas literárias que você ministrou. De uma certa forma, recebemos uma parte de sua tese de doutorado, enquanto esta era constituída, em conversas que iam muito além de certas pós-graduações. Vivemos hoje um momento em que a sociedade pode chamar de racional, onde aparecem poetas cerebrais, preocupados mais com a forma do que com a carga de significados. Que tiram da poesia esta aura mística que existe desde o princípio das coisas. Acredita que ainda exista espaço para o misticismo na poesia, ou os poetas xamãs, se extinguiram com a recente morte do poeta Roberto Piva, criando um hiato para a poesia com um cunho místico?


Cláudio Willer - Que meu livro corresponda à sua expectativa. De fato, a cena poética é dominada pelo que chamo, ironicamente, de “poetas inteligentes”; aqueles que enxergam criação poética como algo da competência exclusiva do “cógito” cartesiano, das funções racionais em seu sentido mais estrito. Isso é determinado, em boa parte, por um viés da crítica, reforçado pela contribuição do nosso ensino, especialmente de Letras, à burocratização do saber. Mas é evidente que há espaço para concepções mais visionárias, ou místicas, como você diz, da poesia. E mais: de uns quinze anos para cá, e mais nitidamente nos últimos cinco anos, tem aparecido novos poetas, de qualidade, que se expressam preferencialmente no modo não-discursivo. Não por acaso, leitores de Roberto Piva, dando prosseguimento à sua decisiva contribuição. Serão um capítulo de uma história futura da poesia brasileira.

Edson Bueno de Camargo - Existem poetas como o José Geraldo Neres, aqui de Santo André, com uma poesia complexa, formada por imagens poéticas, com sua estrutura muito próxima ao surrealismo, com muitos atributos da natureza, como a água que perpassa em muitos de seus poemas. Poderíamos dizer que o José Geraldo está próximo à uma poesia com características de um misticismo moderno, em um movimento sincrético?

Cláudio Willer - Neres é exemplar. É paradigmático, pelo modo como representa essa renovação poética. Você observa com precisão algumas características importantes de sua escrita. Correspondem a uma filosofia da natureza que também é uma mística da natureza. De um misticismo leigo, profano, não-teísta, fora do quadro das religiões institucionais. Sincretismo, sim: filosófico e literário. Não é o único – outros representam essa tendência, você inclusive, e mais alguns poetas nossos amigos ou interlocutores.


Edson Bueno de Camargo - Como é a gestação de um livro com 462 páginas? Escrever para uma tese é o mesmo que conceber um livro autoral? O livro já era uma idéia concebida durante as pesquisas e estudos da tese?

Cláudio Willer - Em um comentário publicado outro dia (na Tribuna do Norte, de Natal), o autor observa que Um obscuro encanto é tão bom, tão legível, que nem parece uma tese... Escrevi com muita naturalidade. E intercalando com outras produções – na mesma época, publiquei um livro de poesia, preparei uma série de ensaios sobre surrealismo (que saíram naquele livrão da Perspectiva), e o extenso posfácio para o volume 1 do Piva pela Globo. Pretendia escrever sobre poesia e ocultismo – quando me dei conta de que isso chegaria a mil páginas ou mais, e me tomaria uma década, focalizei gnosticismo, uma espécie de capítulo primeiro das filosofias ocultas na tradição ocidental. Fui recolhendo muito do que já havia lido, refletido e até mesmo escrito. No prefácio para minha edição de Lautréamont, de 1997, há observações sobre sua afinidade com o gnosticismo. Sobre Hilda Hilst e gnosticismo, já havia comentado em 1987, ao resenhar Com os meus olhos de cão – e Hilda, soube recentemente, corroborou esse meu comentário. Em minha narrativa em prosa Volta, lançada em 1996, os dois capítulos finais, onde relato a palestra que dei em um encontro de ocultistas em 1985, já são uma sinopse da minha tese. Inscrever-me em um doutorado direto, como bolsista, foi a oportunidade para avançar em um tema que, como pode ser visto, já me interessava há tempos.

Edson Bueno de Camargo - O que há no livro da pessoa Cláudio Willer? Existem motivos místicos para a escolha do assunto, tanto da tese de doutorado e o posterior livro?

Cláudio Willer - Motivos místicos? Não no sentido de uma adesão a uma doutrina. Sim, se entendidos como equivalentes à valorização da intuição, do conhecimento revelado através da experiência poética. Meus principais motivos foram a curiosidade, querer saber mais, a inquietação. A vontade de cobrir um vazio que percebi em obras como História da filosofia oculta, de Alexandrian, na qual as ligações de poesia com ocultismo e gnosticismo são apenas sugeridas; ou de O oculto de Colin Wilson, que aborda o tema, porém de modo assistemático. Fui provocado, principalmente, por Octavio Paz em Os filhos do barro, com seu destaque para a importância de ocultismo, hermetismo, e por extensão do gnosticismo, na formação de Baudelaire e de poetas românticos, simbolistas e surrealistas, questionando os preconceitos positivistas e cristãos contra o exame desse tema.
A ligação com gnosticismo já havia sido observada, de um modo ou de outro, por estudiosos dos poetas que examino - William Blake, Novalis, Nerval, Baudelaire, Rimbaud, Lautréamont, Mallarmé, Pessoa, Breton e surrealistas, Dario Veloso, Hilda Hilst etc. Minha principal contribuição, penso, foi mostrar como esses vínculos com gnosticismo são diferentes em cada poeta; como são pessoais, heterodoxos. Poetas não são ideólogos, não são doutrinadores, insisto. Nesse sentido que meu livro pode contribuir, espero, para a leitura da poesia. 






"Caros oficineiros, 

Com especial satisfação, convido a todos para o lançamento e sessão de autógrafos do meu novo livro, Um obscuro encanto: gnose, gnosticismo e poesia moderna, publicado pela editora Civilização Brasileira.

LOCAL: Será na Livraria Cultura (Loja Record) do Conjunto Nacional, à Av. Paulista  2073.

DATA: Dia 11 de agosto, quarta-feira, a partir das 19 h.

O livro tem 462 páginas, e já está à venda por R$ 59,90. Trata-se da versão editada (com alguma redução e também acréscimos) da minha tese de doutorado em Letras, apresentada à USP em 2008. Na primeira parte, examino e discuto as doutrinas gnósticas; na segunda,  trato de suas conexões, heterodoxas e paradoxais, com uma diversidade de autores, do Romantismo até hoje: William Blake, Novalis, Nerval, Baudelaire, Rimbaud, Lautréamont, Mallarmé, Pessoa, Breton e surrealistas, Dario Veloso, Hilda Hilst etc.Agradeço retransmissão e outros modos de divulgação, bem como as boas leituras, comentários inteligentes e demais manifestações de interesse e simpatia,

.abraxas, 


Cláudio Willer"

terça-feira, 27 de julho de 2010

Presença na 21ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo.



O poeta Edson Bueno de Camargo estará presente na 21ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo em duas ocasiões:


- no dia 16 de agosto, segunda-feira, de 14h às 16h. para o pré-lançamento do seu livro “Cabalísticos” – Selo Orpheu - da Editora Multifoco;
Data: 16 de agosto de 2010 às 14h00
Local: Centro de Exposições Anhembi - Rua I Stand: I55

- no dia 22 de agosto às 19h00 no lançamento da “Antologia do I Concurso de Poesia Amigos do Livro / Flipoços de 2010” da qual é participante, no estande do GRUPO EDITORIAL SCORTECCI.
Data: 22 de agosto de 2010 às 19h00
Local: Centro de Exposições Anhembi - Rua M - Stand: M04

Cabalísticos” – Selo Orpheu - da Editora Multifoco



"A coleção Orpheu da editora Multifoco é um selo voltado para a poesia brasileira nos últimos anos. Adotando como marca a lira “orphica”, o selo pretende redescobrir a poesia brasileira. Através da coletânea que leva o selo Orpheu, tentaremos traçar uma linha desta poesia. Assim, mais do que selo editorial, trata-se do resultado de uma cuidadosa pesquisa. Buscaremos o poeta e sua poesia. Do mesmo modo que Orpheu buscou Eurídice, nós procuraremos os poetas, inéditos ou não, que por sua atividade merecem vir à luz, através do objeto livro. Desejamos construir um “templo de audição”. Formar, pelo conjunto de vozes apresentadas na coletânea, uma harmonia.

Atenciosamente,
Anderson Fonseca
Editor"



Edson Bueno de Camargo, é outro poeta a estrear o selo Orpheu.
Edson Bueno, nasceu em Santo André (SP), em 1962. Publicou em diversas revistas, dentre as quais se destaca Confraria 2 anos (2007), O Casulo (2008) e da Revista Literaria Remolinos (Uruguai, 2008) . É autor dos livros De Lembranças & Fórmulas Mágicas (2007); O Mapa do Abismo e Outros Poemas (2006), e Poemas do Século Passado-1982-2000 (2002).
Pelo selo Orpheu, Edson Bueno de Camargo está lançando o livro Cabalísticos.





" Cada pedra, mesmo a mais bruta, acolhe em sua consistência a lubricidade das fêmeas. Nas contas de opala da dentição, a mulher calcifica o que de rocha tem em si. É sob a pressão e o escuro das profundezas, que terra e mulher se identificam em poder de gestar no silêncio paciente e violento do mundo. Géia, pedra-fêmea: o erotismo medido na equivalência desses dois entes magníficos surge nesse livro de Edson Bueno de Camargo, revelando um universo de luas cheias, de turmalinas, de combinações alquímicas, de imagens domésticas e misteriosas, acontecendo no espaço entre o solo e o baixo ventre das damas.

Edson está entre os escritores atuais que mais admiro, por sua potência criativa e sua inconformidade com as soluções prontas, mesmo trabalhando dentro da arqueologia tradicional do poema, o que torna tudo mais admirável. Soma-se a isso, a sua perícia em arquitetar uma poética que articula o excesso até a extrapolação – até o ponto de fissão metamórfica da realidade – e, ao mesmo tempo, suave como se nada se excedesse. Isso comprova sua vocação de mestre cabalista. Pois Edson não é um poeta de “achados”. O seu maior achado é aquilo que se deve levar para todo poema: a própria poesia. Ele tem aquela magia numérica fundamental aos poetas que não se aprende nem se ensina, mas se revela ou não.

Este livro, com suas mulheres de orelhas pequenas e que cheiram a incenso, sonha a leveza e a dureza em imagens claras e vigorosas, e consolida ainda mais a poética desse bruxo que é Edson Bueno de Camargo.

Márcio-André
Poeta, tradutor, professor e co-editor da revista literária Confraria do Vento."



“Antologia do I Concurso de Poesia Amigos do Livro / Flipoços de 2010”

Um dos maiores e dos mais prestigiados Grupos Editoriais do País, - o Grupo Scortecci em parceria com a GSC Eventos Especiais lança a “Antologia de I Concurso do Poesia Amigos do Livro / Flipoços de 2010” com poetas selecionados em concurso literário. O lançamento da antologia será realizado no estande do GRUPO EDITORIAL SCORTECCI na 21ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo.

O livro é resultado do Concurso realizado em âmbito nacional através do Portal Amigos do Livro, Portal Concursos e Prêmios Literários e da Feira Nacional do Livro de Poços de Caldas. O objetivo do Concurso foi descobrir novos talentos e promover a literatura brasileira. Os 40 vencedores foram divulgados durante o Flipoços 2010 e a premiação resultou na divulgação das poesias em um livro antológico com as 40 poesias vencedoras.




segunda-feira, 26 de julho de 2010

4º CONCURSO LITERÁRIO DE SUZANO - Série Poemas Premiados

cabalísticos

mulheres que cheiram a incenso
não carregam cântaros de água
nos cabelos
não esperam os Ulisses que retornam
não tecem tapeçarias de Penélope
urdem crisálidas entre os dentes
como se sorrissem borboletas laranjas
dormem sob o céu de Mercúrio
e quando chove
dançam com serpentes cingidas à cintura


mulheres com orelhas pequenas
costuram a audição
em bordas de jarros de estanho
carregam nos pulsos sinais cabalísticos
estigmas de deuses ainda não nascidos
não enrolam o céu de estrelas
e não uivam para a lua

mulheres de pés azuis
não contam os dias
e não contam as horas
passam o tempo em buracos de minhoca
ao abrigo de buracos negros
não lavam os cabelos às sextas-feiras
não jogam amarelinha
que contêm inferno
coletam insetos miúdos em caixas de fósforos
e conhecem o outro lado da lua
mulheres da beira do mar
suturam redes com a seda retirada do baço
escamam peixes e os retalham
sem um reclamar sequer
não choram em enterros
e se vestem de azul por ocasião de luto
seus filhos respiram como se possuíssem guelras
e pés com nadadeiras
têm medo de altura,
mas não temem a água
costuram para seus homens fatos brancos
e se enfeitam com flores da mata
e quando a lua cheia cai em segundas-feiras
desprendem um suave cheiro de maresia

mulheres com olhos negros
conhecem a profundidade dos poços
se refletem em poças de água da chuva
sabem que o fogo vive
na alma negra do carvão
coletam libélulas para seu deleite
e as soltam vivas
rindo de suas revoadas
não costumam dizer mentiras
não falam muito à noite
nas luas novas buscam refúgio
na escuridão
quando amam
é normal se ouvirem trovões
à distância




4º CONCURSO LITERÁRIO DE SUZANO – Categoria Poesia – 1º lugar nacional - Associação Cultural Literatura no Brasil - Prefeitura de Suzano – Petrobras -2008;

Revista Trajetória Literária Número 04 - Pág 09

X PRÊMIO ESCRIBA DE POESIA – 2008 - Série Poemas Premiados

uma cigarra


uma cigarra
afina sua viola de jade
que em sua cor esmeralda
soa como botões de jasmim
em cinco pétalas brancas
com a alma amarela
outras flores e ramos de bétula

o som tem gosto de açúcar
sentido pela primeira vez
tomado em garrafas de néctar
e colherinhas de alpaca

a harmonia refrata tons verde metálicos
roubados das roupas de besouros
ao sol depois da chuva
emprestam sem saber as couraças
a voz ao instrumento
quando começa o cair da tarde

um grilo toca seu violino de cobre
que tomou ao enternecer à tarde
em uma febre de temer que noite caia
e nunca volte o dia

sapos acompanham com sua orquestra
de tímpanos, trompas e fagotes
concertando desde o lago

a cigarra em uníssono
o besouro e seus cornos de ouro e zinco
(cornucópia perdida aos seres)
o grilo e seu ofício
os sapos ferreiros a frio
(para o medo das fadas)

o azul se desmonta em bronze
o acaso do dia em naufrágio
as nuvens de algodão doce
os jasmins dormem á noite
quando não escutamos sua cor


o lago responde ao universo
contando suas próprias estrelas
mimo que se dá de presente todas as noites
pingos de luz no liso da água
e uma lua para poetas embriagados


X PRÊMIO ESCRIBA DE POESIA – 2008 - 2º lugar - Prefeitura do Município de Piracicaba, através da Secretaria Municipal da Ação Cultural - Piracicaba – SP – 2008;


X Prêmio Escriba de Poesia - Piracicaba - 2008 - págs. 19 e 20

PRÊMIO LILA RIPOLL DE POESIA – EDIÇÃO 2008 - Série Poemas Premiados

quartos de inverno


guardar folhas em casamatas
para os quartos de inverno
após a hecatombe nuclear

virar-se para o lado direito da cama
e mergulhar no esquecimento

observar o minguar de uma rosa em um copo
até que caiam as últimas pétalas

assim estar preparado para o poema
que cruza avenidas em tardes de inverno
esquece os caminhos dormidos
e recolhe o perfume das coisas já mortas





PRÊMIO LILA RIPOLL DE POESIA – EDIÇÃO 2008 – Menção Honrosa - Assembléia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul;


Prêmio Lila Ripoll de poesia 2008 - Coletânea de Poesia - Pág. 43

8º CONCURSO DE POESIAS DA UFSJ - Série Poemas Premiados

teluricomancias


ela é agora uma das mulheres da casa
ou mulher-casa
- assim se podemos dizer

esta combinação alquímica
de útero e terra
umidade e calor
entranhas de pedra candente
turmalinas mastigadas
teluricomancias
que aos poucos torna estas mulheres
antes novas
em luas cheias

(toda mulher é um vulcão domesticado
a guardar terremotos em seus zelos
e perigosos orgasmos)

são para a casa
outras e as mesmas
suas águas e suas telhas
o chão que se pisa e o céu sobre as cabeças
estas
que puxam cordões pelo umbigo
de onde tiram as fibras
ao qual se atam as meninas e depois os meninos
para que não vão embora
(e vão)
(rompendo em choro à suas partidas)



há das quais nos lembram como de janelas
e móveis
os gonzos das portas
retratos nas paredes
genealogias femininas
benzeduras
urdiduras e tessituras
os santos de toda a espécie (europeus e africanos, mais os que já estão com a terra)
fazem pelas suas bocas:
voz

(e estas também os homens tanto temem quanto amam)


8º CONCURSO DE POESIAS DA UFSJ - Poema classificado para publicação - Universidade Federal De São João Del-Rei – UFSJ - São João Del-Rei – MG – 2008;



8º Con. de Poesias da UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO JOÃO DEL-REI - págs - 27 e 28

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Oliveira, Gracco - REFÉM DAS IDEIAS – Editora Celta – Diadema – SP – 2009



Oliveira, Gracco - REFÉM DAS IDEIAS – Editora Celta – Diadema – SP – 2009





Um livro para ser lido em uns quinze minutos, parece depreciativo, mas não é. O livrinho de Gracco Oliveira, em suas cinqüenta e poucas páginas, tem esta característica dinâmica, de uma fruição rápida, frases tomadas de assalto, de saca mais rápido. Uma pequena aventura literária que assim terminada, leitura de ponta a ponta, engatamos em uma nova, logo na seqüência. Poemas curtos, mas com grande densidade, laboriosos, trazendo a marca do esmeril de grande artesão das palavras. Alguns para ficar a pensar, dos quais destaco o poema “CALVINISTA”, de longe o meu preferido, que além de carregar grande significado é de uma beleza plástica ímpar, um ato lúdico das crianças soltas nas ruas de nossas cidades a se transformar em uma lição de filosofia. Tomando a lição de Gaston Bachelard, que em um de seus ensaios, atenta que o filósofo deve aprender com o poeta, que faz filosofia, mas com concisão de idéias. Ou mais ainda, uma construção a nos lembrar que a razão da arte, será sempre a de buscar o belo.

Textos bem humorados, críticos, narcisistas, políticos, sociais, costuram a leitura o tempo todo. Diadema tem sido um grande celeiro de bons poetas, ou um local de passagem da grande literatura. Gracco Oliveira vem a acrescentar mais um nome e com uma grande vantagem, é uma pessoa jovem, e portanto um poeta jovem, destes com a capacidade de ler mais e escrever mais, se aprimorando a cada dia. Gracco não é destes nossos escritores que ficam presos a fórmulas e repetições intermináveis. Não há como definir de imediato o que são: micro-contos, crônicas, prosa poética, ou tudo isto junto, e ao mesmo tempo e agora. Faz o uso de uma linguagem mais solta, mas sem deixar de ter um compromisso com a linguagem. É fiel as estruturas da língua e acrescenta um tom coloquial em certos momentos. Metalingüístico, dialoga com o leitor o tempo todo, e faz uma advertência ao final de sua apresentação pessoal, “Não pague o resgate”, a qual não sabemos se devemos obedecer ou não. Estará o poeta, eternamente preso e refém das idéias? Ou quer que o leitor se liberte de idéias preconcebidas através da poesia?



(Para saber mais de Gracco Oliveira  -  
http://refemdasideias.blogspot.com/)

PRÊMIO LITERÁRIO CANTEIROS CULTURAL 2007 - Série Poemas Premiados

sucumbiram


tranquei uns gemidos em gavetas
e uns sussurros em caixas de papelão

no sótão tem objetos que ocupam (as caixas)
estas que se acumulam
e se devoram

guardar lembranças
é matá-las em sua essência
colocar o sumo da memória em estanques
Psique peregrinando entre os templos de Demeter


quartos de guardados são cemitérios de almas
não há paraíso para reminiscências
há sempre improvisos de inferno
tentação de olhar para trás

(sucumbiram Orfeu, a mulher de Lot, as vítimas da Medeia)

há sempre o risco de se tornar uma estátua de sal




PRÊMIO LITERÁRIO CANTEIROS CULTURAL 2007 – classificação para publicação em antologia – realizado por: Portal Cultural www.canteirosdeobras.com e a Canteiros Editora – Niterói – RJ – 2007;



(Infelizmente o livro da antologia ficou só na promessa.)

3º CONCURSO NACIONAL DE POESIA - COLATINA 2007 “PRÊMIO “FILOGÔNIO BARBOSA” - Série Poemas Premiados

serpentário


a língua da jovem
parte-se em dois gumes
fino aço do sangue
peçonha do ferro e do corte

a doença da criação
é o vírus da destruição
a morte tem dentes agudos
pedras vivas em alvura

aquele que vive entre serpentes:

sibila







esquisito



ao primeiro sinal do dia
buscar os vestígios de luz que despontam
na sola dos pés

plantações de delírios nas soleiras da porta
limites entre a noite anterior e o dia que vislumbra
fronteira entre o sono e o sonho

em língua espanhola
esquisito significa gostoso
esquisito é chamarem cabelos de pêlos
assim não saber quais pêlos afagar
ou que lábios beijar




3º CONCURSO NACIONAL DE POESIA - COLATINA 2007 “PRÊMIO “FILOGÔNIO BARBOSA” - 2º lugar com o poema “serpentário” e Menção Honrosa com o poema “esquisito” - Prefeitura Municipal de Colatina – através da Superintendência de Cultura - Colatina - ES – 2007;






Concurso Nacional de Poesia - Colatina ES - eBook - 2009 - Antologia dos concursos 2006,2007,2008