segunda-feira, 5 de abril de 2010

OUTRAS PALAVRAS - POÉTICAS ANDREENSES - CASA DA PALAVRA - 23/04/2010

OUTRAS PALAVRAS - POÉTICAS ANDREENSES



OUTRAS PALAVRAS - POÉTICAS ANDREENSES
APRESENTAÇÃO:
Trocas artísticas; contando com recorte de autores (as) nascidos, moradores e trabalhadores de Santo André.


Diálogo entre as diversas realidades poéticas. Palavras & trocas artísticas, leituras, performace, intervenção musical, poesia, dança. Diálogo multi-linguagem a abordar e desdobrar o corpo, a cidade, os outros corpos, a cidade de Santo André.


Convidados:

EDSON BUENO DE CAMARGO, HÉLIO NÉRI, HENRIQUE KRISPIM, JOSÉ GERALDO NERES, JUREMA BARRETO DE SOUZA, KIUSAM DE OLIVEIRA, NEUZZA PINHEIRO, PROJETO AURORA (Roteiro e Concepção: PIERINA BALLARINI E HENRIQUE RISHI), E ZHÔ BERTHOLINI.
Participação especial:
LIA CORDONI (CD “SAMBA-FUSÃO”)


INFORMAÇÕES:
Local: CASA DA PALAVRA – ESCOLA LIVRE DE LITERATURA
PRAÇA DO CARMO, 171, CENTRO – SANTO ANDRÉ, SP.
TELEFONE: (11) 4992-7218.
Dia: SEXTA-FEIRA, 23 DE Abril DE 2010
Horário: A PARTIR DAS 19H00.

domingo, 4 de abril de 2010

Entrevista cedida por Edson Bueno de Camargo ao poeta Marcelo Ariel.




Entrevista cedida por Edson Bueno de Camargo ao poeta Marcelo Ariel, para seu blog e a Revista Pausa. Ainda inédita.

1-) O que a poesia significa para você e qual seria a função social da poesia?

Poemas são pequenas cartas suicidas, escrevo para continuar vivo, ou melhor, para me sentir realmente vivo. Esta existência da sobrevivência não me atrai, se vivesse só por viver teria deixado a vida se exaurir em mim. Devemos, na medida que pudermos, viver pela arte, pelo belo, a minha arte é a poesia.

A função social da poesia, se é que ela tem uma, é dividir o belo com os outros, é tentar na medida de nossas limitações estéticas e éticas ajudar as pessoas a aprenderem e apreenderem o belo. (Olhe bem, o belo na arte é uma condição narcísica muito longe desta pasteurização a que nos impõe os meios de comunicação de massa das grandes corporações.) O poeta tem o destino dos heróis trágicos, deve se imolar pela comunidade que o cerca, mas passa pelo inconveniente de passar em branco, quase por uma invisibilidade. Temos a sina de Cassandra, a irmã de Paris de Tróia, predizemos o futuro e as coisas, mas ninguém acreditará nelas.


2-) Fale um pouco sobre a sua trajetória e sobre a gênese dos seus poemas?

Escrevo desde muito jovem, sou muito prolixo, mas considero que comecei a “pegar” esta questão de ter um compromisso e seriedade com a poesia meio tardiamente. Foi a partir de uma oficina em minha cidade, Mauá-SP, a Oficina Aberta da Palavra, que me deparei com a necessidade de dar um tratamento estético ao que produzia. Depois em uma oficina com o poeta Cláudio Willer, na Casa da Palavra, em Santo André, cidade vizinha à minha, foi que tive contato com alguma teoria à respeito do assunto. A produção do poema vai ser sempre uma luta entre o sentido e a forma. Dar significado e ao mesmo tempo não perder de vista que a arte deve buscar o novo.

Daí para frente foi surgindo um necessidade incontrolável de ser lido. De ter pelo menos leitores críticos. Comecei a disseminar minha produção aos quatro cantos do planeta, utilizei e utilizo muito da Internet como meio de divulgação, participo de saraus e de todo o tipo de atividade que envolva literatura e possa conhecer pessoas que também façam poesia e gostem de poesia. Participei também de alguns concursos literários e obtive algumas premiações. Acima de tudo tenho conhecido pessoas, que como eu não se satisfazem com um pouco de ração, um canto para dormir e outros confortos domésticos. Pessoas que lidam com a poesia em geral são meio selvagens, com pouca afinidade para com a domesticação. Por isso são pessoas perigosas para a sociedade.

Tenho o hábito de carregar um pequeno caderno, uma vez que minha memória não é muito boa, e neste anotar insights e versos que me vem a cabeça, sou também um voyeur incorrigível e fico perscrutando as pessoas e suas falas. Existe um momento que este material todo anotado começa a me incomodar, dai sento diante do computador e passo a limpo tudo isso. Nestes momentos nascem os poemas, alguns vêm prontos, outros demoram mais, outros nunca se materializam. E claro leio muito, e de tudo, gosto muito de cultura pop, HQs, animes, filosofia, poetas malditos, blogs da garotada que está na luta agora, muita poesia. Irrita-me quando pego pela frente um cidadão que diz que não lê outros poetas para não “influenciar” sua obra, toda a literatura é intertextual em sua natureza, assim como a arte. Estamos sempre reescrevendo a poesia. Temos um dívida com todos que escreveram antes de nós, e os reescrevemos em nossa escrita. Ter um estilo “próprio” deve significar se não o domínio, a tentativa de dominar aquilo que nos precedeu. Dentro da contemporaneidade não existe espaço para divas e “prima-donas”.

3-) Na sua opinião, qual é o atual panorama da literatura no Brasil e no mundo, como você vê a situação do livro e do escritor e em especial a do livro de poesia?

Possuo uma angústia muito grande ao reconhecer que não serei capaz de ler e conhecer tudo o que preciso e quero. A cada dia que passa descubro algo ou alguém novo que me passou despercebido ou que não está exposto o suficiente para que o leiamos. Tenho a limitação da língua, por razões misteriosas não consigo ir além do português, embora adore leituras que permitam o contato da obra original junto com a tradução, pois muito da poesia está no som.

Não tenho uma leitura muito crítica em relação a um panorama da literatura, no Brasil ou no mundo, mas vivemos em uma situação de efemeridade da existência humana, ou tentam nos passar esta visão. A literatura não tem nada a haver com isso, a arte como um todo é nossa tentativa de vencer o tempo e a mortalidade. Vivemos em um período em que a informação é controlada pelos meios de comunicação de massa e por conseqüência muito rasa, não há uma tentativa de se aprofundar os conteúdos. Mas se pensarmos bem, em que período da história isto não ocorreu de uma certa forma? A Igreja do passado e seu “índice proibido” já era uma forma de manter o conhecimento sob controle.

O formato livro é uma coisa muito recente historicamente, a imprensa de tipos móveis foi uma revolução muito maior que a que temos hoje com a Internet, possuir muitos livros, ou ter a possibilidade de lê-los, é uma forma de hiper-conectividade além das fronteiras psicológicas da mente. É essencial que continuemos a produzir livros, eles tem o dom de atravessar fronteiras, de passar de mão em mão, de chegar a lugares que nem podemos imaginar. Livros de poesia são pequenas possibilidades de revolução, quando o mundo diz pare, a poesia fala corra, quando o mundo diz corra, a poesia pára. Agora se alguém pretende ganhar dinheiro com livros de poesia, é uma outra história mais complicada.

4-) O que é a vida para você?

A vida para mim é um grande incômodo. Existir carece de sentido, e sou racional demais, então ao tentar racionalizar algo que não faz o maior sentido, me angustio muito. Não trago em mim nenhuma esperança, mas ao mesmo tempo, como já disse ao poeta Zhô Bertolini, a poesia me denuncia. A poesia pode ser o apocalipse e o cataclismo, mas também a hecatombe, não é salvacionista, mas poderá nos salvar de nós mesmos.

5-) E a Alma?

A Alma é uma coisa vaga, como o Amor.

6-) Cite alguns autores que foram e são importantes para você e por que?

Foram muitas influências, e que estão ocorrendo o tempo todo. Nos meus primeiros versos um poeta quase naïf chamado Castelo Hanssen; Cláudio Willer nas oficinas da Casa da Palavra de Santo André, principalmente por não ter sido condescendente com meu texto, colocando o que precisava ser colocado no momento certo e apresentando os poetas surrealistas para mim, em especial, Mario Cezariny e Herberto Helder. O poema “O amor em visita” de Herberto Helder foi um divisor de águas em minha poesia. Não posso deixar de citar Mario Quintana, nem tanto na forma, mas na alma. Cecília Meireles, Ferreira Gullar, João Cabral de Melo Neto, e uma infinidade de nomes aos quais não estou fazendo justiça. Leio muito a garotada que está chegando, muitos blogues e revistas na Internet. Na minha opinião a poesia nunca está completa ou acabada, é um processo, e as possibilidades de influência são infinitas, como já disse antes acredito que a literatura é intertextual.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Só não peça que me cale.


"Calar de si mesmo, é humildade;
Calar os defeitos alheios, é caridade;
Calar palavras inúteis, é penitência ;
Calar nos momentos oportunos, é prudência;
Calar na dor, é heroísmo;
Calar a verdade, é omissão.

                                           São  Domingos."




(Esta imagem de São Domingos é de Fra Bartolomeo, do século XVI)






“Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.”

Cecília Meireles




Relutei um pouco antes de escrever este texto, pensei estar dando muita importância a quem não devia, não posso dar espaço a vazão irracional de um louco, ou me tornar refém de sua verborragia inconseqüente. Tenho por princípios, nunca ceder à chantagem. Já quase paguei com a vida por isto, fazer o quê, se não honramos mais nem os compromissos que tomamos com nós mesmos, o que vamos valer? Que fazer? Sou antigo em tudo, acredito até em honra.

Depois de várias mensagens de solidariedade, do meu mestre querido Cláudio Willer, de amigos, de pessoas que mal conheço pessoalmente (trocamos algumas palavras através de um e-mail ou comentários em textos um do outro, todos devidamente assinados, diga-se de passagem), que me foram muito gentis. Mas principalmente por conta de dois telefonemas do amigo, o jornalista e contista, Aristides Theodoro, que preocupado com minha tristeza,  me passou uma citação do crítico francês do século XIX, Saint-Beuve, sobre o crítico ser aquele  incapaz  de produzir. Resolvi escrever algo, nem que seja apenas como exorcismo. (Afinal, o bom exorcismo ainda é muito funcional, para espantar fantasmas e demônios.)

Não encontrei as palavras exatas de Saint-Beuve, mas creio que isto não importa muito, uma vez que não recebi críticas, mas ataques,  primeiro ao grupo a que pertenço, e depois com mais virulência, ataques à minha pessoa. Não vou dar conta do conteúdo destes ataques, uma vez que empenhei minha palavra com o agressor, que publicaria todos os seus comentários em meu blogue se este me der um nome que não seja de fantasia para assiná-los. Embora muito me doam as acusações feitas. Sou chamado de covarde, eu que estou as claras e desarmado, por aquele que das sombras me injuria.

Não sei lidar com estes conflitos. Não sei lidar com o ódio sem motivo aparente, nem o meu próprio ódio tolero. Aceito qualquer sentimento contra minha pessoa, desde que dito na minha cara, com todas as palavras, olho no olho. Não consigo levar a sério pessoas dissimuladas, ou que se escondem sob o véu do anonimato. É um pouco como pessoas que maltratam animais, mais cedo ou mais tarde, isto se revelará uma psicopatia. Não existem pequenos atos criminosos, crime é crime. Se não sou agredido diretamente e as claras, não há chance de defesa, fere-se o princípio da Constituição, a do contraditório, não há uma discussão, é um ataque linear, é unilateral. No livro do Apocalipse existe em algum lugar que estou com preguiça de procurar para citar com exatidão agora, que os cães e as cobras não entrarão no Reino dos Céus. Não acredito em reinos para depois da morte, mas gosto da simbologia que isto quer dar, o evangelista não fala dos animais da fauna, fala das pessoas que atacam pelas costas, dos que mordem nossos calcanhares na surdina e traição. O traidor pode ser aquele que come ao teu lado hoje, amanhã contando trinta dinheiros, rirá de tua sorte.

É tão difícil fazer algo pela cultura de nossa cidade, é uma realidade periférica, satélite de um grande centro, com uma formação proletária que dá muito pouco valor à coisas imateriais, pau é pau, pedra é pedra, pão é pão e poesia não se come. Em um grupo, além de lidar com a vaidade natural dos artistas, das idas e vindas do apoio oficial, da total falta de interesse da população em geral para com o que estamos fazendo, sobreviver é tudo o que fazemos bem. O teatro e a música, ainda conseguem ir um pouco mais adiante, por conta da fruição diferente que estas linguagens representam. A literatura é a prima pobre das artes, em um país que não é tradição ler, a poesia coitada, é a prima miserável. Se todos se unissem, coisa que não acredito possível, já seria muito complicado, lutando uns contra os outros fica muito pior.

Não sei o que fiz para gerar tanto ódio, tenho escritos meus poemas, e mostrado às pessoas, o que até onde sei não é crime, no muito, me tomam por um chato, um indesejável artista que teima em não ficar invisível. Lê quem quer, principalmente lê quem gosta, se lhe mando um e-mail, e não o quer receber mais, é simples, responda com este desejo, não mando mais. Não gosta da atuação de meu grupo, não nos acompanhe. Não quer ser meu amigo no Orkut,  delete o meu perfil de seus amigos.  Crê que cometemos algum crime, nos acuse formalmente, vá ao ministério público,  faça uma denúncia às autoridades competentes. Acha que o que fazemos é formal demais, que devíamos ganhar as ruas, faça algo por isso, vá para as ruas. Acredita que estamos longe do povo, lute por sua causa.  Não gosta da Câmara Municipal de Mauá ( Por quer será?), tome as praças. Falarei com aquele que quiser me ouvir, o padre e o ateu, o rico e o pobre, na rua, mansão, ou casebre. Só não tente nos conduzir, nos controlar, ser o fiel da balança, o juiz de todas as causas, como nos diz Patativa em sua grande sabedoria, “cante lá, que eu canto cá”.

Há poetas heróis como Roque Dalton  e Che Guevara, há poetas santos como o Gentileza, há poetas iluminados como Mário Quintana, há poetas ao gosto popular  como Vinícius de Morais, há poetas na música como Renato Russo, há poetas populares como Cego Aderaldo e meu grande amigo Moreira de Acopiara. E há o pó da sandália dos grandes poetas, não tenho tanta pretensão. Escrevo porque vou morrer, como afirma meu amigo, o poeta José Carlos Brandão. Somos todos patéticos diante da finitude e da precariedade da vida humana. Não importa o que pensem ou o que falem.


Escrevo poesia porque já não sei mais fazer outra coisa. Só não peça que me cale.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Sobre o aviso colocado na barra lateral do blogue.

Sobre o aviso colocado na barra lateral do blogue.



Infelizmente uma pessoa desonrada tem feito ataques contra nosso blogue, não entendo bem a razão, mas louco não precisa de motivo, em um primeiro momento pensei se tratar de alguém despeitado, mas inofensivo,   inocentemente permiti algumas de suas postagens agressivas e difamatórias, por um espírito conciliatório, acreditei dada voz a sua indignação, a sua ira se aplacasse. Mas isto fez com que os ataques se multiplicassem e se tornassem mais agressivos, um gesto de paz foi confundido com fraqueza. Em um primeiro momento tais ataques se arrefeceram, e pensei que haviam parado. Mas eles voltaram e em outros blogues que administro.

Este tipo de ação consiste de crime no Brasil, e se isto for recorrente, tomarei medidas cabíveis, não esqueça o "anônimo" que em caso de crime IPs podem ser rastreados, e se outras pessoas tiverem sofrendo algum ataque, tem alguns links abaixo para maiores informações. 

Peço perdão por usar este espaço, mas se tornou necessário dada a dimensão do problema. 

Respeito e paz para todos. 

http://elcabron.sjdr.com.br/internet/voce-foi-vitima-de-cyberbullying-saiba-como-se-defender/

http://www.baixaki.com.br/info/2075-o-que-e-cyberbullying-.htm

http://www.vestibular.brasilescola.com/blog/cyberbullying-um-novo-crime-virtual.htm




 

 

Aviso importante.

Sinto-me no direito de recusar comentários anônimos, este blogue é um espaço para todo tipo de discussão, desde que em termos civillizados e com urbanidade. Fale o que falar, críticas, mesmo as infundadas, ponha seu nome perfeitamente identificável, eu publico, sem nome, apago.

Lamento ter que colocar este recado aqui, mas o possível anonimato que a Internet dá, faz com que algumas pessoas sintam-se no direito de serem agressivas.

Ciberbullying - tolerância zero.

quarta-feira, 17 de março de 2010

A poesia deve sempre ser acessível?




"Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras" Clarice Lispector


De vez em quando alguma coisa que escrevemos, inadvertidamente, acaba gerando mal-entendidos e constrangimentos, nem sempre nos damos conta da extensão do que escrevemos e até onde isto pode chegar. Ao usar a expressão “pessoa comum” acabei por gerar uma “saia justa” para mim e uma discussão interessante em uma comunidade que participo na rede social Orkut, que acreditem se quiser, entre um “miguxo” e outro, travam-se sérios debates literários e até filosóficos. O debate que transcrevo à seguir se deu na comunidade do orkut “Vamos escrever um livro?”. Para mim se tornou pertinente aos assuntos abordados em meus “Inventários”.

A frase que gerou o debate foi a seguinte:

"Um amigo me questionou se a pessoa simples e comum conseguiria ler minha poesia que é muito complexa, ao que respondi, a pessoa comum não consegue ler sua conta de luz, quanto mais um poema.

Não acredito que devo ter esta angustia, escrevo para me safar da morte, mostro às pessoas como uma forma de exorcismo. "

Nesta frase, para mim ficou bem nítido que as pessoas comuns estão mergulhadas no cotidiano, sem olhos para ver a poesia, sendo que muitas destas pessoas estão em um estágio de analfabetismo funcional, o que as impede de ler e entender coisas banais, mas isto foi o que eu pensei. Mais de seis meses depois de ter escrito isso, e esquecido por completo como sempre (é por isso que escrevo), quando o tópico já havia “esfriado” e quase desaparecido no mar de outros tópicos da comunidade, a internauta Nai Santos e membro da comunidade coloca o seguinte “post” com sua justa indignação.

“Edson
O que é para você uma pessoa comum? Você não estaria subestimando o leitor?
Considero-me uma pessoa comum e sempre gostei de poesia. A capacidade do homem não está nos estudos acadêmicos e sim nas experiências adquiridas com as suas vivências. O meu pai aprendeu a ler depois que se casou com minha mãe por insistência dela. Nunca freqüentou uma escola, após ter aprendido ler se tornou um amante de Manoel Bandeira e Drummond, do meu pai herdei o prazer de ler poesias. Devemos evitar os preconceitos! “ Nai Santos

- Ao que respondi -

Não me lembro de ter usado a expressão "pessoa comum", o que digo é que as pessoas estão por demais presas ao seu cotidiano para apreciar a poesia. Estamos engolfados em um meio onde a praticidade e a utilidade imediata são os valores maiores.

O ser humano tem uma capacidade muito além do que usa, há pessoa tocadas pelo poético independente de sua formação acadêmica, e vou mais longe, creio que a formação escolar às vezes atrapalha.

Uma pessoa gostar de poesia não é norma, faça uma pesquisa simples em seu meio. Fico feliz quando ouço relatos de pessoas que tem este contato, dei oficinas de criação literária e lidei com pessoas em todos os níveis educacionais e condições sociais, todas movidas pelo amor à poesia; mas estas pessoas não são "comuns", elas são especiais, se distinguem da maioria que vivem mergulhadas na ordem. Só o amor ao caos nos torna poetas.

Não distingo as pessoas pelas que gostam de poesia, pelas que não, mas sou muito mais perigoso que o preconceituoso, o preconceituoso tem uma fórmula que aplica a todos e para explicar o mundo, eu acredito que a poesia funciona para quem tem a mente aberta à poesia, e não tenho uma explicação científica para isso. Portanto não sou preconceituoso, sou elitista.

A poesia é para os tocados, e estes são poucos.

- Minha resposta foi pouco cortês, e não tardou o retruque -

“Oi Edson
Vou copiar e colar o seu texto para refrescar a sua memória:” Nai Santos

"Um amigo me questionou se a pessoa "simples e comum" conseguiria ler minha poesia que é muito complexa, ao que respondi, a pessoa comum não consegue ler sua conta de luz, quanto mais um poema".

- Neste momento esqueci a preguiça e li todos os “posts” anteriores, para realmente dar uma resposta mais adequada e menos enviesada-

Talvez tenha usado o termo errado, quis me referir ao analfabetismo funcional nesta frase, é complicado falar nestes termos sem que se acabe por ofender alguém, se usasse “pessoa ordinária”, por exemplo, que é em bom português, nos termos de dicionário: uma pessoa como outra qualquer, sem qualquer conotação pejorativa, mas acaba tendo. Eu sou uma pessoa ordinária, não tenho nada que me distinga dos outros, sou uma pessoa comum no meio da multidão.

Quando me referi à pessoa comum, termo inadequado, me referi à minha experiência como educador, em nosso país temos pessoas que estão à margem da leitura mais profunda por serem analfabetas funcionais. E que fique bem claro, o problema está em adquirir conhecimento através da leitura, de maneira alguma podemos desprezar o conhecimento de vida e a vivência de experiência destas pessoas. Também não é uma questão de inteligência, Gardner, em seus experimentos prova que cada pessoa carrega uma inteligência própria, em diversos aspectos da aptidão humana.

Ler poesia é uma questão de sensibilidade, ou te toca ou não te toca.

Assim como cada pessoa é única, assim é a poética, o que afirmei é que existe uma angústia por parte do escritor em ser entendido de imediato, isto é uma exigência na prosa, no caso da poesia é muito complicado executar um trabalho com a palavra se ficarmos com a preocupação de sermos inteligíveis o tempo todo.

Meu pai é semi-analfabeto e está descobrindo a leitura na velhice, o que me deixa muito feliz, mas ele não entende e nunca entendeu o que escrevo, para minha infelicidade.

Cara Nai, a frase que você colou se refere a uma discussão que tive com um jornalista de minha cidade (Aristides Theodoro), a respeito de um outro poeta amigo nosso (Castelo Hanssen), que escreve de maneira simples e fácil de entender. ( Poesias fáceis às vezes são enganosas, pois o sentido vai muito além dos que as palavras estão dizendo de imediato.)

O que escrevo envolve uma grande elaboração lingüística e do uso da palavra, não é algo necessariamente proposital no sentido que as pessoas não entendam, é que não acredito que o poema tenha que ter um sentido único. No poema o uso da palavra deve transcender o seu significado original, o que pode dificultar uma primeira leitura. Para mim, o leitor tem que se apossar do meu texto e fazê-lo seu, e extrair as próprias sensações dele, o sentido original das palavras deve ficar em segundo plano.

Existem muitos tipos de poesia, algumas mais prosaicas, isto é, presas à um sentido original (textual), que se aproximam da prosa, do romance e da novela, quanto mais poético o texto for, mais ele se afasta deste sentido único (contextual, analógico).

Longe de mim desprezar as pessoas pela sua cultura, não acredito que a cultura acadêmica e livresca seja a mais correta, ela é dominante (lembrando Marcos Bagno), a partir de um país que usou o domínio da palavra escrita como forma de domínio político. Existem pessoas mergulhadas na poesia que sequer juntam duas letras, existem pessoas com faculdade e PHD que são incapazes de entender um poema.

Se pareci preconceituoso, perdoá-me, referi-me as questões ligadas a um problema cultural muito presente em nosso país, o analfabetismo funcional, existem sim pessoas que mesmo letradas não conseguem ler uma conta de luz, não são piores nem melhores que ninguém, mas terão dificuldades em viver em um mundo tecnicista, que cada vez mais exige o conhecimento e sua aquisição pela leitura para se viver nele.

É uma grande sacanagem pinçar uma frase em um texto completo. Fez-me parecer preconceituoso, quando estou falando da poesia e não das pessoas serem incapazes ou não.

Repito que escrevo para safar-me da morte, que nos é tão próxima, é na arte e nas suas obras que um homem busca eternidade. Vivemos em uma transitoriedade neste mundo, neste sentido a poesia é minha religião.

O homem comum tem o domínio do mundo, eu sou infeliz nele. Então, o homem comum é infinitamente superior a mim.





domingo, 14 de março de 2010

Poéticas des-do-bra-das - 12/03/2010 - "Um longo desregramento dos sentidos."

"Um longo desregramento dos sentidos." Rimbaud pelas letras de Beth Brait Alvim



"Foi um bom sarau. Gostei de participar. Beth, você estava carismática. Prossigam. Mais sessões festivas de pré-lançamento de Olhos de Barro de José Geraldo Neres, editora Orfeu, e exibições de outros talentos.
abraços,"
 Claudio Willer




"José, meus amados

Estou aqui no trabalho inter os lagos e mata atlântica do sesc, sábado de sol, poesia no corpo, sangue e alma.Revejo o Percutindo Mundos do Arlequim, 07/2009, da 5a poética da Casa das Rosas, uau, já estava tudo posto, terreiro bento, lindo, o povo...

Refeita, sarada, curada, quase. Preciso de poesia sempre. só. resgate(m)-me.


beijo no coração de todos.

beth
Em 2010 et semper,

Sejamos delicados, éticos, firmes; mesmo cansados, eretos. Mesmo que desanimados, apaixonados. Sejamos belos, pois que humanos.'

Beth Brait Alvim


visitem 
www.bethbraitalvim.blogspot.com"



"celebrar a poesia=dança=corpo=música=miscigenação=povos=vidas-celebrar=per-curtir a vida=diversidade=arte de tempo circular. obrigado pela companhia, neres"
José Geraldo Neres







Todas as fotos - Cecília Camargo

Poemas publicados no poezine - CLOE - Numero 03 - 2009


Fui publicado no fanzine " CLOE - Poezine" de número 03 de 03/07/2009, poemas do meu último livro "De Lembranças & Fórmulas  Mágicas", e algumas palavras do editor, sobre a desconstrução da realidade em meus poemas.
Apesar de meu nome estar grafado errado em mais uma publicação( não sei porque sismam que "camargo" é "carvalho", ora pois Camargo é um lugar e carvalho uma árvore), isto não compromete a bem cuidada edição.