sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Portal SESC SP - RUMOS LITERÁRIOS.



http://www.sescsp.org.br/sesc/revistas/revistas_link.cfm?Edicao_Id=422&Artigo_ID=6415&IDCategoria=7412&reftype=2


Poesia brasileira: a boa safra de 2010-2011

por Claudio Willer

Terão os poetas contemporâneos brasileiros enlouquecido? Entrado em pânico? Em irrefreáveis surtos visionários?
É a impressão que se tem ao ler versos como estes, do recente Uma Cerveja no Dilúvio (7 Letras, 2011), de um poeta do Rio de Janeiro, Afonso Henriques Neto:


há um incêndio a lavrar pela noite
lambendo as páginas da agonia
verbo carbonizado nos cornos do apocalipse
nas cenas de uma bíblia enlouquecida
lábios por onde a poesia
vomitara lascas de labaredas
árduas centelhas do mito
evangelhos soterrados sob negros estampidos
relâmpagos solvidos em rochedos de neblina


Veemente anúncio de um fim do mundo em tom, ritmo e imagens que lembram Jorge de Lima.
Encontra eco em outro lançamento recente, Poemas Perversos (Pantemporâneo, 2011), de Celso de Alencar, paraense radicado em São Paulo:


Devolvamos o rio
Devolvamos tudo aquilo que lhe pertence
[...]
Devolvamos a morte estremecente
e, além da morte,
o cemitério viajante e afundado.
Devolvamos tudo, inclusive o leito experimentado
que acolhe a vastidão de nomes inteiros
e a vida com suas mamas profundamente desfiguradas.
Devolvamos o rio.


Afonso Henriques Neto e Celso de Alencar são poetas maduros, que estrearam, respectivamente, na década de 1960 e 1970. Seus lançamentos estão entre os mais importantes do biênio. Outros mais jovens exacerbam essa dicção através de imagens, de modo não discursivo. Proclamam seus apocalipses pessoais (no duplo sentido da expressão apocalipse, como fim de mundo e revelação).

Um deles, Chiu Yi Chih, de São Paulo, com Naufrágios (Multifoco, 2011):

inclino-me áspero pinheiro / nos ecos do Amargo
a rachadura é dourada / flor que desafeiçoa
nada nos assegura neste assombro de pássaros.
sinistra morada, esta que nos lança à desaparição.
irreparável símbolo, meu rosto: planeta fora do seu berço

Faz par com o vigor de Augusto de Guimaraens Cavalcanti, do Rio de Janeiro, em Os Tigres Cravaram as Garras no Horizonte (Editora Circuito, 2010): tropicália exacerbada, contracultura atualizada por um poeta jovem, releitura do melhor da beat, surrealismo hoje.


Querem mais imagens poéticas? Mais expressões não discursivas? Novos exemplos de poesia onírica? Que tal José Geraldo Neres, do ABC paulista, com sua prosa poética em Olhos de Barro (Multifoco, 2010): “Água e silêncio. Dedos vazios mergulham à procura dos peixes outrora semeados. Nem girassóis, nem milagres e a carne das palavras. Dou ao tempo outro cardume”. Texto onírico, regido pelo deslocamento.


A seu lado – lançaram juntos – Edson Bueno de Camargo em Cabalísticos, enunciando uma poética e citando Ginsberg:

o poeta é sacerdote
da própria religião
[...]
Rimbaud foi
bruxo a seu tempo
usou a extinção de sua quintessência
e fez poesia além da palavra






A destacar, também, uma obra coletiva fio, fenda, falésia (edição das autoras, Proac-São Paulo) de Érica Zíngano, Renata Huber e Roberta Ferraz, que acabara de lançar lacrimatórios, enócoas (Oficina Raquel, 2009). Comparecem com uma apoteose da fusão de gêneros, da escrita em todas as direções e possibilidades, mas sempre bem resolvidas, com um padrão consistente nessa diversidade: livro que não deveria ser apenas lido, porém estudado e carinhosamente decifrado.


As novas possibilidades da edição – do hipertexto em papel de Érica, Renata e Roberta, passando pelos objetos mais estranhos da produção contemporânea, propositadamente confundindo tudo, à leveza digital de Elizabeth Lorenzotti: a experiente jornalista e poeta estreante mostra como o macrocosmo está evidentemente presente no microcosmo (desde que se saiba ver) com As Dez Mil Coisas (Amazon, 2011), disponível só em e-book.
Analogia coexiste harmonicamente com ironia em Livro Ruído (Eucleia, 2011), de Davi Araujo, paulista prolífico que encontrou editor em Portugal e escreve sobre “Adeus a deus” e “O teatro e meu duplo”.



Poesia se faz no Brasil todo. Josoaldo Lima Rego já foi chamado por mim de “maranhense cosmopolita” por ver “Uma Nadja, sorrateira pelos becos” e proclamar que “é preciso sonhar a anistia dos manicômios” em Paisagens Possíveis (7 Letras, 2010). A propósito de maranhenses cosmopolitas, além de literariamente elegantes, Samarone Marinho, com Atrás da Vidraça (7 Letras, 2011), incluindo a inquietante série intitulada “(imemoriáveis aleijões beckettianos sussurrados da janela do quarto)”.



São exemplos. Haveria mais. Mineiros alquimistas, místicos de elevada dicção, como Andityas Soares de Moura, com Aurora Consurgens (7 Letras, 2010), e Abílio Terra, com Numa Floresta de Símbolos (Alcance, 2010). Mostras de que o romantismo é contemporâneo, em O Pó das Palavras (Ponteio, 2011), do carioca Claufe Rodrigues, experiente difusor e divulgador de poesia.



A safra de poesia de 2010-2011 foi vigorosa. Cabe perguntar se a crítica se deu conta. Infelizmente, à exceção de uma bela resenha de Moacir Amancio (outro poeta extraordinário) tratando de Poemas Perversos, de Celso de Alencar (publicada no suplemento Sabático de O Estado de S. Paulo), nada disso foi comentado, ou quase nada – nossos críticos continuam preferindo os poetas inteligentes: aqueles racionais, precisos, rarefeitos e bem-comportados.


E continuam a lamentar a ausência de novos poetas, sem atentar para o que se passa ao seu redor. Uma Cerveja no Dilúvio, de um poeta da qualidade e importância de Afonso Henriques Neto, ainda não ter recebido nenhuma resenha importante em órgãos da grande imprensa – assim pagando o preço por ser avesso ao mundanismo literário – é admissão de alheamento geral.



Talvez tão importante quanto as boas edições em livro seja a ampliação dos espaços públicos, das chances de poetas se mostrarem ao vivo e se comunicarem com leitores efetivos ou potenciais. Em Belo Horizonte, uma programação semanal e já tradicional. No Rio de Janeiro, aquelas récitas, proliferando há décadas.




Em São Paulo, além da importante função da Casa das Rosas como polo irradiador, graças ao esforço de Frederico Barbosa e colaboradores, estimulando novos saraus (uns 40 por mês na cidade toda, ao que consta), há programação em unidades do Sesc, em bares e casas noturnas, no refinado Lugar Pantemporâneo. E um novo e importante espaço institucional para a poesia, com a abertura da programação de leituras e palestras no Centro Cultural São Paulo, coordenado por Claudio Daniel, também poeta de qualidade.




Caberia mencionar alguns bons mecanismos de subvenção, como o Programa de Ação Cultural (Proac) em São Paulo, compensando o preconceito de alguns editores e muitos livreiros. Existem, também, premiações inteligentes. Precisaria, ainda, falar das revistas que publicam poesia; da continuidade de Coyote, do reaparecimento de Babel, entre outras. E do que circula no meio digital. Mas isso demandaria outra matéria. Importa registrar que só não repara na boa poesia contemporânea brasileira quem não quer; quem sofrer de total inaptidão para o gênero.





“Nossos críticos continuam preferindo os poetas inteligentes: aqueles racionais, precisos, rarefeitos e bem comportados. E continuam a lamentar a ausência de novos poetas, sem atentar para o que se passa ao seu redor”


Claudio Willer é poeta, ensaísta, tradutor e autor, entre outros livros, de Um Obscuro Encanto – Gnose, Gnosticismo e Poesia (Civilização Brasileira, 2010) e Geração Beat (L&PM Editores, 2009)

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Revista "Poetizando" # 43 - versão impressa



Revista "Poetizando" # 43 - versão impressa
 http://www.revistapoetizando.blogspot.com/
 A Poetizando é editada por Walmor Colmenero e Eunice Mendes. É uma revista literária artesanal trimestral, saindo no início de cada estação do ano. Seu objetivo é divulgar autores  novos e consagrados. Dividida em seções fixas,  recebe colaborações do Brasil e exterior.
 
 

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Vitrine Literária - SESC Santos




Encontro de escritores, leitura de poemas e lançamento de livros. Um panorama da produção literária do Litoral publicada por editoras cartoneras, revistas literárias, grupos literários e projetos que possibilitam a difusão do fazer literário. Uma aproximação do escritor com o público possibilitando a difusão da produção literária contemporânea.

Com Marcio Barreto e convidados

Convidados: Gilberto Mendes, Estrela Leminsk, Flávio Viegas Amoreira, Ademir Demarchi, Marcelo Ariel, Regina Alonso, Madô Martins, José Geraldo Neres, Alessandro Atanes, Márcia Costa, Edson Bueno de Camargo, Tarso Ramos, Jamir Lopes, Poetas Vivos, Maria José Goldschmidt, Alberto Amorim, Christina Amorim, Eduardo Pimenta, Zéllus Machado, Luiz Tahan, Valdir Alvarenga, Grêmio de Haicai Caminho das Águas, Cláudia Brino e Vieira Vivo.

Lançamento dos livros
Ácidos Trópicos - Márcio Barreto
Antologia de Poemas - Sociedade dos Poetas Vivos
Avesso - Madô Martins
Bala com Bala e Espelhos de Cristal - Marcio Callegaro
Cabalísticos - Edson Bueno de Camargo
Ciência da Música - da teoria à regência - Tarso Ramos
Conjeituras, Sobretudo - Carlos Gama
Lua na Rede - Mahelen Madureira
Lua Rouxinol - Maria José Goldschmidt
Musa Atômica - Sidney Sanctus
Outros Silêncios - José Geraldo Neres
Peixes-de-bico do Atlântico - Alberto e Christina Amorim e Eduardo Pimenta
Pequena Cartografia da Poesia Contemporânea Brasileira - org. Marcelo Ariel
Pequenos Contos de Viagem - Eunice Tomé
Pétalas Dispersas – Clara Sznifer
Santos - Natureza e Arquiterura em Fotopoemas e Circularidade - Regina Alonso
Torpedo - Zéllus Machado

Lançamento das Revistas
Babel Poética II - Ademir Demarchi
Mirante Mistério - ed. nº 75 (29Anos) - Valdir Alvarenga

Exposição de livros editados pela Sereia Ca(n)tadora e Edições Caiçaras


SESC Santos
Comedoria. Livre para todos os públicos. Grátis.
14/12. Quarta, às 20h 
 
 
Fonte: http://percutindomundos.blogspot.com/

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Considerações sobre as Leituras de Roberto Piva




Dia 16 de novembro foi realizada uma leitura de poemas de Roberto Piva no Centro Cultural São Paulo, onde tive o prazer e a honra de ser um dos leitores, de um poeta, que antes de ser apenas um esteta, e foi um muito bom, vivenciou suas palavras, por mais incômodo que isto pudesse causar em estômagos delicados.

A poesia de Piva não é para os salões chiques e desinfetados, e ainda hoje passados muitos anos das suas primeiras publicações ainda causam enjôo naqueles que esperam da poesia florzinhas e coraçõezinhos. A palavra é uma arma desintegradora na mão dos inconformados, “uma metralhadora em estado de graça”; e os poetas que causam engulhos e moléstia, tem o destino certo do esquecimento midiático. Mas nós lembramos. Não esqueceremos.

Estávamos lá, no espaço público, prestando a nossa homenagem, da melhor forma que se pode fazer a um poeta, com a leitura de seus poemas, a recriar em nossas almas, o clima fértil das imagens de trovão e fogo, a retumbar nas estruturas de aço. Sinto que faltaram tambores, para que em uma gira louca recriássemos seu espírito, que como caboclo louco fincasse os pés naquele terreiro, também o poeta, com seus vaticínios apocalípticos, de que a extinção do urso polar precedia a da humanidade e Dante Alighieri já havia previsto isto na Divina Comédia, tudo naquele terreno tornado sagrado e tomado à poesia.

Ali se fizeram presentes os totens da terra, do fogo, da água e do ar. Ali se riscaram as linhas do norte, do sul, do leste e do oeste.

Ali estivemos todos, e digo, é necessário que se repita este ato.



Para arrematar. cometi uma pequena gafe em minha fala ao chamar o Piva de Wila, justo, afinal foi Cláudio Willer que me apresentou Roberto Piva, e se tornaram meus dois grandes mestres. Ato falho segundo Freud é a verdade que aflora do subconsciente. 





( "Um Estrangeiro na Legião: Leituras de Roberto Piva" Festival Mix Brasil - Clube de leitura de poesia
dia 16 de novembro, das 19h30 às 21h, na Sala Adoniran Barbosa do Centro Cultural São Paulo.
)

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Um estrangeiro na legião: leituras de Roberto Piva




Festival Mix Brasil - Clube de leitura de poesia

dia 16/11 - quarta

das 19h30 às 21h30 Um estrangeiro na legião: leituras de Roberto Piva
poetas convidados: Claudio Willer, Ruy Proença, Marcelo Montenegro, Dirceu Villa, Neuzza Pinheiro, Edson Bueno de Camargo, Marcelo Ariel, Roberto Bicelli, Edson Cruz, Rubens Jardim, Celso Alencar, Roberta Ferraz, Natália de Barros, Paulo Ortiz, Chiu Yi Chih, Gabriel Kolyniak, Victor Del Franco, Alex Dias, Luís Serguilha, José Geraldo Neres, Andréa Catrópa e Rita Alves

Recital dedicado a um dos poetas mais criativos da literatura brasileira da segunda metade do século XX, Roberto Piva (1937-2010), que em sua obra poética abordou temas como a ecologia, o xamanismo, a diversidade sexual e novas formas de percepção da realidade.

Ingressos: R$1,00 - venda de ingressos: na bilheteria (terça a domingo, das 10h às 22h), somente na semana da apresentação
Sala Adoniran Barbosa

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Dia de Amar seu Corpo - 2011 -





Muito e pouco me vem a cabeça para falar sobre este dia; das muitas coisas que poderia e deveria falar. Ando meio de porre com este assunto.

Sou da geração que aprendeu na televisão a odiar o próprio corpo, que teve um breve vislumbre de esperança e abertura, mas que mergulhou na mesmice e na caretice.

Vejo os jovens cultuarem seus corpos dentro de uma artificialidade, onde toda a transformação corporal é uma violência enrustida, é vilipendiação do corpo. Lipoaspiração, plásticas, implantes, exercícios extenuantes, procedimentos médicos muito próximos à tortura e da irresponsabilidade médica. A saúde que deve ser almejada, foi substituída por um ideal de beleza física fora da realidade. A fotografias das revistas e na Internet são maquiadas eletronicamente, são irreais. Almejam o que não existe.

O que mais me assusta nisto tudo é a postura dos ditos profissionais, médicos que corroboram com as mentiras espalhadas pela mídia. Atribuem á obesidade malefícios que não existem de fato, que resvalam na paranóia coletiva. É claro que devemos buscar por uma existência saudável, mas a saúde mental é a mais importante de todas. Tudo deve estar dentro do razoável, da ciência verdadeira, não a patrocinada pelas grandes farmacêuticas, e do bem estar consigo mesmo.

Sou obeso, e tenho muita dificuldade de me olhar no espelho e não dizer: monstro. Anos e anos de massacre fizeram seu estrago. Mas tenho aprendido aos poucos a conviver comigo mesmo em paz.

Mas o que pega é que sou humano, não importa minha forma, minha cor, meu credo, meu gênero. O que importa é que sou humano em tudo o que isto significa.

O que importa que eu seja um “ente humano”, capaz de amar e viver a poesia.


#LYBD

Dia de amar seu corpo


quarta-feira, 12 de outubro de 2011

HOMENAGEM AOS 80 ANOS DE RENATA PALLOTTINI




HOMENAGEM AOS 80 ANOS DE RENATA PALLOTTINI - No dia 20 de outubro, na Casa das Rosas, a partir das 19h30, poetas, artistas e amigos estão preparando uma homenagem a Renata Pallottini. Poeta, dramaturga, ensaísta, roteirista e tradutora, Renata já tem mais de 20 livros publicados e mais de 11 peças teatrais. 

Entre suas obras de maior destaque estão a série Malu Mulher, da rede Globo, e Vila Sésamo, da Cultura. 

Já confirmaram participação: Frederico Barbosa, Álvaro Alves de Faria, Cláudio Willer, Celso de Alencar, Carlos Felipe Moises, Roberto Biccelli, Donizete Galvão, Edson Bueno de Camargo, Raquel Naveira, Eunice Arruda, Ruy Proença, Reinaldo Damázio, Dalila Teles, Beth Brait, Neuza Pinheiro,Luiz Roberto Guedes,Ronald Carvalho,Thereza Cristina Rocque da Motta, Graça Bermann, Cleo Ventura, Paulo Hesse.






Casa das Rosas
Espaço Haroldo de Campos
de Poesia e Literatura


Av. Paulista, 37 - Bela Vista
CEP.: 01311-902 - São Paulo - Brasil
(11) 3285.6986 / 3288.9447
contato.cr@poiesis.org.br


quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Cenas Literárias. Relatório e impressões.


Cenas Literárias.

Relatório e impressões. (Edson Bueno de Camargo)

Dentro da programação do III Encontro de Teatro de Mauá, ocorreu o evento Cenas Literárias, dividido em três atividades.  Todas ocorreram no denominado Palco Cidade, no espaço cultural Museu Barão de Mauá.


- Palestra com o dramaturgo, ator e poeta Mario Bortolotto no dia 21 de setembro às 19 horas;


 

- Palestra com os escritores  Dalila Teles Veras, Jurema Barreto de Souza e Edson Bueno de Camargo, discutindo formas alternativas de produção e divulgação da obra literária,  às 19 horas no dia 22 de setembro;


 

 - Palestra e Oficina de Manufatura de Livros, com work-shop de costura japonesa, com os escritores  Cláudia Brino e Vieira Vivo no dia 24 de setembro, sábado às 14 horas.




Podemos dizer que a ideia de misturar outras linguagens dentro de um encontro de teatro, foi muito pertinente, uma vez que sabemos que o teatro engloba ou absorve outras linguagens em seu fazer artístico. A literatura e a poesia, compõem uma parte importante da encenação, uma vez que uma quase totalidade das peças não consegue prescindir do texto. O texto é um princípio gerador do ato de encenar, sendo o dramaturgo, um ser que está no limiar entre a literatura e o teatro, sendo por muitos a dramaturgia considerada um dos aspectos da literatura.

No dia 21, o escritor Mario Bortolotto, em um clima bastante descontraído, discorreu sobre sua carreira de ator e produtor de teatro e de como o ato de escrever permeou, e em certos aspectos apontou os caminhos que o levaram ao teatro. O próprio autor, destaca que se considera mais um escritor, e que a figura do dramaturgo colou em sua pessoa, mais por uma imposição de mídia, do que de desejo pessoal seu.  Apesar de um público pequeno a princípio e um tanto móvel, houve grande participação dos presentes, dando ao encontro um clima de bate papo informal, que acabou se estendendo mesmo depois do encerramento oficial. Foi muito interessante o contato com um agente social da arte, bastante multimídia, e interessado no fazer poético. A pessoa prevaleceu sobre a figura emblemática e às vezes polêmica.

No dia 22 houve um verdadeiro debate em torno da condição do autor local, dos oriundos do grande ABC e suas cidades,  e de uma aparente ou existente mesmo, falta de respeito que estes sofrem. O poeta Edson Bueno de Camargo, discorreu sobre ações históricas de grupos de escritores da cidade de Mauá e sobre a dificuldade da ação dentro destes grupos, bem como a respeito dos problemas do fazer local. Discorreu também ao que ele denominou resistência cultural, sua magnitude e definição geral.

A poeta e editora Dalila Teles Veras,  falou de sua experiência com o grupo Livre Espaço, e da fundação e manutenção do Espaço Cultural Alpharrábio e seu selo editorial, os praticamente vinte anos de existência do espaço e de sua vivência como editora, não para competir com as grande editoras, mas ao de fazer um trabalho diferenciado, com pequenas edições que se compõem em verdadeiros livros de arte. Dalila também discorreu de forma brilhante sobre o desrespeito que o autores da região sofrem em relação à mídia e autoridades, uma vez que não se dá o devido valor à rica produção local e seus autores. Do voluntarismo forçado, uma vez que raramente se remunera os trabalhadores de cultura local.

A poeta Jurema Barreto de Souza, falou de sua ação como produtora da Revista A Cigarra, desde as primeiras edições mimeografadas, até as revistas finais, verdadeiros objetos de arte gráfica. A Revista A Cigarra, teve o seu encerramento na edição de número 42, nos seus exatos 25 anos de edição.  Falou também de seu trabalho junto com o poeta Zhô Bertholini e seu retorno ao formato original, criando um zine, e edições de seus próprios livros.

Houve uma troca preciosa de informações entre os debatedores e o público presente. Terminou o evento com a forte impressão que muito ainda havia por ser dito,  apontando–se a necessidade de outros encontros.

Dai 24 os escritores e editores alternativos, Cláudia Brino e Vieira Vivo, ofereceram um atividade bastante lúdica e ilustrativa  de como surgiu o livro, os cuidados com sua conservação e de como surgiu a encadernação dos volumes e das muitas denominações que possuem um livro. De forma prática e muito didática, Cláudia Brino desenvolveu sua oficina, envolvendo todos os presentes. O escritor Vieira Vivo, complementou a palestra, falando da atividade dos dois, da confecção caseira, se assim pode se dizer, de seus livros, que em muito não deixam a desejar nada para produção industrial, material muito bem feito e executado, com a diferença de serem feitos um a um com a dedicação de objeto artesanal.

Além do desenvolvimento de uma palestra muito rica e esclarecedora, houve uma parte prática, onde os presentes tiveram a oportunidade de costurarem um pequeno volume, pelo método conhecido como “costura japonesa”, saindo todos os que se dispuseram a fazê-lo, com um pequeno caderno costurado pelas próprias mãos.

Apontamentos gerais:

- todas as palestras foram muito bem aproveitadas pelos presentes, havendo em todas uma forte participação do público presente;

- notou-se uma presença de um público heterogêneo, e uma baixa presença de pessoas interessadas em literatura;

- houve alguns problemas com a mobilidade do público, havendo em certos momentos uma flutuação da audiência, com entrada e saída de pessoas durante os debates, como era uma atividade paralela ao encontro geral, talvez tenha ocorrido um certa “competição” entre os eventos;

- a quase ausência de problemas de organização e estrutura, locais e acomodações adequados, ocorreram atrasos discretos em todas as atividades;

- em todas as atividades ficou a sensação de que poderiam dar continuidade às mesmas  e a ocorrência de novos encontros.  

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Fase regional do Mapa Cultural Paulista




A cidade de Mauá passa pela fase regional do Mapa Cultural Paulista (Grande São Paulo) que está em sua edição 2011-2012, na linguagem Literatura, categoria Poesia – com o poema “a cidade imóvel” de Edson Bueno de Camargo, que irá agora para a fase final estadual, apresentando-se na capital paulista.


A fase regional do Mapa Cultural Paulista aconteceu no domingo (18/9), na cidade de São Caetano do Sul, que recebeu diversas cidades do Estado de São Paulo para a fase regional do Mapa Cultural Paulista, ( Teatro Santos Dumont - Avenida Goiás, 1111, Bairro Santa Paula – SCS - SP).

Criado em 1995, o Mapa Cultural Paulista tem o objetivo de promover as produções culturais de todo o Estado, revelando valores em segmentos que não teriam acesso aos meios de comunicação e com pouca visibilidade no meio cultural. Durante a realização do evento, são selecionados artistas de 13 regiões administrativas do Governo do Estado para participar de atividades culturais distribuídas em três fases. Em todas elas os artistas que se destacam apresentam seus trabalhos, primeiro no município de origem, depois na região em que estão inseridos e depois na fase estadual. 


domingo, 18 de setembro de 2011

Discutindo o homem - Cenas Literárias

http://www.dgabc.com.br/News/5914187/discutindo-o-homem.aspx

Discutindo o homem

Thiago Mariano
Do Diário do Grande ABC



O Encontro de Teatro de Mauá, com início na terça, chega à terceira edição para discutir o papel social humano. Com o tema A Natureza do Homem, a mostra, que vai até dia 25, destaca o debate do papel que representamos em sociedade.

Em paralelo às exibições teatrais, que acontecem tanto no palco quanto na rua, debates, exposição, intervenções artísticas de dança, música e circo tomam espaços públicos da cidade. A programação completa pode ser conferida através do site www.encontrodeteatrodemaua.com.br.

"A discussão é sobre como o homem se coloca frente ao espaço em que convive e de que maneira a natureza se impõe a ele", conta Caio Evangelista, coordenador de Cultura de Mauá.

Completa a agenda o especial Cenas Literárias. Sempre discutindo a mistura de linguagens artísticas, o encontro se atém à literatura nessa edição. Com programação no Museu Barão de Mauá, o projeto traz gente como o dramaturgo Mário Bortolotto, a editora da livraria andreense Alpharrabio, Dalila Teles Veras, e o poeta mauaense Edson Bueno de Camargo para discutir a integração das letras na arte cênica.

Entre os espetáculos teatrais, 31, destacam-se renomados monólogos, como 45 Minutos, com Caco Ciocler, A Casa Amarela, com Gero Camilo, e Horácio e Sonho de Um Homem Ridículo, interpretados por Celso Frateschi.
Mas o mais importante acontecerá pela cidade, com as exibições itinerantes, que tomam bairros afastados e aproximam a população do teatro.
Os grupos da cidade, que se apresentam tanto dentro do teatro como fora, segundo Evangelista, após o encontro, viram florescer a possibilidade de estabelecer projeto artístico em Mauá. "Tivemos uma explosão de grupos que passaram a trabalhar na cidade e alguns, que não estavam na ativa e não viam graça na cena mauaense, a voltar a desenvolver seus projetos aqui. Começamos a ver grupos discutindo e produzindo de acordo com o festival, pensando no mundo, não em si próprios."

O projeto é que a partir dessa edição a discussão e as apresentações englobem cada vez mais as outras cidades da região. "O encontro já é algo consolidado, tem patrocínio e apoio, discutindo a cultura com relação à descentralização, com a proposta de trabalhar sob a ótica da população, não do artista", diz Caio, que planeja integrar a dança à discussão cênica no próximo festival.

sábado, 17 de setembro de 2011

Exposição de Arte Postal - Os Livros


Edson Bueno de Camargo  







Exposição de Arte Postal - Os Livros
projeto de Constança Lucas

Alpharrabio Livraria e Centro Cultural
Abertura dia 17 de setembro, 2011, sábado, das 10 horas às 16 horas

17 de setembro a 15 de outubro de 2011
Rua Eduardo Monteiro, 151 - Jd. Bela VistaSanto André - SP – Brasil
Telefone: 11 4438.4358

Horários: de segunda a sexta, das 13 às 19 horas - sábado, das 9:30 às 13:00 horas
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Galeria Gravura Brasileira
1 a 31 de Março de 2012
Rua Dr. Franco da Rocha, 61, Perdizes, São Paulo, SP - Tel. 11 3624.0301 / 3624.9193 
Horário de funcionamento: Segunda a Sexta: 10h00 às 18h00
 e Sábado: 11h00 às 13h00

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 Blog Arte Postal - Os Livros



sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Escritor e artista plástica falam sobre a produção cultural em Mauá

http://www.radiozfm.org/entrevista/35-entrevista/1823-escritor-e-artista-plastica-falam-sobre-a-producao-cultural-em-maua.html

Escritor e artista plástica falam sobre a produção cultural em Mauá


O poeta e escritor Edson Bueno de Camargo e a artista plástica Cecília Camargo participaram do quadro “Artistas da cidade”, nesta sexta-feira, dia 16 de setembro. O casal falou sobre o trabalho desenvolvido em Mauá e as dificuldades para produzir arte na região do Grande ABC. Camargo destacou como avanço o 3º Encontro de Teatro de Mauá e Cecília, que também é professora há 22 anos, ressaltou a intensa produção dos vários artistas do município.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Cenas Literárias 2011


Cenas Literárias 2011  - dentro do III Encontro de Teatro de Mauá

Palestra com o Dramaturgo, Ator e Poeta Mario Bortolotto no dia 21 de setembro às 19 horas, 


Palestra com  Dalila Teles Veras, Jurema Barreto de Souza e Edson Bueno de Camargo, às 19 horas no dia 22 de setembro. 

No dia 24 de setembro, sábado às 14 horas, a Oficina de Manufatura de Livros através do Método Japonês, por Cláudia Brino e Vieira Vivo.

Solicitem seus ingressos pelo e-mail: difusão.teatromunicipal@ma
ua.sp.gov.br ou através do  e-mail: simone.bello@ig.com.br 
 
Local - Museu Barão de Mauá -
Casa bandeirista do início do século XVIII, construída em taipa de pilão, com alpendre, sótão e telhado de duas águas. Atualmente abriga o Museu Barão de Mauá, em homenagem a Irineu Evangelista de Sousa, pioneiro da industrialização no Brasil.


Rua Dr. Getúlio Vargas, 276 – Vila Guarani – Mauá - SP

 
Horário para visitação: Segunda a sábado, das 9h às 16h


Informações, agendamento de visitas e inscrições para oficinas e cursos pelos telefones 4519-4011 ou 4519-6456

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

DEBUG IS ON THE TABLE



DEBUG IS ON THE TABLE é um poema-instalação multimídia controlado remotamente. Tendo como única referência sensível uma webcam sobre uma mesa, Márcio-André estará “presente”, em tempo integral, durante os três dias da edição paulistana do festival Poetas por Km², manipulando poesia através de sons e imagens, diretamente da Espanha, e interagindo com todo aquele que se “aproxime”. A performance, que fica no espaço entre a música experimental, a poesia e a instalação, pretende evidenciar o deus-bug ( bug:god ) ignoto e autômato que age por trás da parafernália digital – e que é também poeta – e interrogar o lugar do artista diante do impacto do virtual no mundo contemporâneo.