quinta-feira, 7 de maio de 2009

A respeito do lançamento do livro “Outros Silêncios” de José Geraldo Neres.




Este começo de noite foi muito agradável. Compareci ao lançamento do livro de José Geraldo Neres, “Outros silêncios”, na livraria Alpharrábio, em Santo André – SP. Mais que um lançamento, foi a apresentação do livro através da poeta Dalila Teles Veras aos amigos do escritor e de uma certa maneira à comunidade onde ele mora e milita culturalmente, o Grande ABC. Pensando em comunidade como algo um pouco maior que a limitação geográfica, pois havia pessoas de quase todos os municípios das Sete Cidades, e restritivo no sentido que este livro é para pessoas que vêem a poesia como ferramenta de extrair o sensível de nossos cérebros e corpos. É muita coragem se lançar um livro de poemas no mundo utilitarista em que vivemos, a poesia sempre soará como ruído incompreensível aos ouvidos dos que só ouvem com prazer o tilintar das moedas. A poesia não é e nem deve ser salvacionista, mas poderá ser redentora à medida que é ainda a única coisa que resiste a ter um valor monetário.


Hoje vi um poema ser dançado ao som de atabaque, pau de chuva, e todo o som que não ouvimos, mas que está presente, o som do acaso. Além de é claro, o som da voz humana, o primeiro e primordial instrumento musical. A professora e dançarina Kiusam de Oliveira deu corporeidade a um poema, ao mesmo tempo que chama Neres de homem-água, pede proteção a Oxum, a mãe das águas, exorta o feminino que essa água quer dizer. A poesia é o feminino das águas torrenciais que existe na poética de José Geraldo Neres, que poderia ser homem-chuva, homem-rio (e todas as suas margens), homem-barro (e seus tijolos e potes), pois o barro é a mistura da terra fértil com a água imprescindível.

Esta mesma Kiusam, dá um depoimento de uma situação de catarse, a partir do exercício de leitura com seus alunos, fala da palavra empoderamento, cunhada tão sabiamente por Paulo Freire, da possibilidade do poema fazer pessoas em situação de baixa auto-estima, se libertarem das suas amarras corporais e mentais, e se verem como realmente são, seres humanos. Ai se dá a maior glória de um poeta, a de ser alijado da propriedade de seu trabalho, é quando o leitor se espelha em sua obra, leitor que passa a ser também Narciso que se espreita.

A partir de hoje Rádi Oliveira, poeta de Diadema, passou a ter uma voz, quem eu só conhecia pela escrita, criou corporeidade em uma voz suave e acolhedora. Rádi cantou um poema de Castro Alves, “Oh! Bendito o que semeia livros”, que nunca imaginei tão melodioso. Nunca mais lerei este poema sem me vir a afável melodia. Para dar provas de que cada verso da poesia de Neres é já em si um poema, o ator Carlos Lotto fez um exercício, de copiar vários primeiros versos, que lidos juntos formaram um novo e inédito poema.

Voltei para casa com uma boa sensação. A incomum sensação de que é válido este exercício permanente de se limar contra o verso. De que somos diamante a ser lapidado. Pérola que se cria na ostra incomodada pela palavra.

2 comentários:

neres disse...

meu amigo dom edson. não sei oquedizer.precisa?

poeta do inverno. disse...

como gostaria de poder está neste lançamento