segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Sobre a lamentável atitude da UNIBAN em relação à aluna Geyse.


http://apoiadores.wordpress.com/

http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2009/11/07/uniban+expulsa+aluna+hostilizada+por+usar+vestido+curto+9042025.html


Qual o decoro estabelecido para uso de roupas? Ponderemos: em países islâmicos, de rígidos costumes morais e pouco respeito às mulheres, a roupa ideal é a burca, e suas variações, que começam por cobrir sempre a cabeça, ou o corpo todo. Cada povo tem seu costume, e não serei eu que dirá o que é certo ou errado. Mas os que estes países tem em comum é o fato de serem muito pouco democráticos e onde o estado de direito é muito pouco respeitado. Alguns grupos acreditam-se no direito de intervir na vida de todas as pessoas, países como a Arábia Saudita sequer tem uma constituição e é uma monarquia absolutista e medieval, das que desapareceram do mundo ocidental após a Revolução Francesa.


Costumes com vestimentas mudam com o tempo, antes de 1800, uma mulher decente jamais usaria uma calcinha, coisa de mulher mundana, botões nem pensar, as roupas eram quase que costuradas sobre o corpo. Nunca lembro de visto os cabelos de minha avó soltos, sempre cobertos por um lenço. No Brasil até os anos 50 e mesmo depois disso, uma mulher de calças poderia ser presa, e com certeza seria hostilizada na rua. E é ai que quero chegar.


Acredito ser o Brasil um país constitucional, onde bem ou mal, funciona o império da Lei (ou deveria), há sempre o que se melhorar, mas se compararmos a linha do tempo, veremos que já foi pior, e bem pior. Existe na Constituição o claro direito de ir e vir, e o de nos portarmos conforme nos for conveniente e confortável. Graças a todos os deuses, não temos leis de costumes, que nos indicam o que vestir, o que comer, aonde ir. O que aconteceu na UNIBAN, vai além do lamentável, cai em um terreno muito perigoso, pois por um lado a universidade condena a vítima e valoriza o ato criminoso( preparem-se, a próxima vítima dos TaleBans furiosos pode ser sua filha). E por outro perpetra o ato nefando da violência contra a mulher, nossos jovens lamentavelmente estão eivados de um veneno que se chama machismo, onde um homem tem mais valor que uma mulher, algo que fere a Lei e o bom senso ao mesmo tempo, um câncer que já deveria ter sido extirpado a muito tempo do seio de nossa sociedade, mas como o nazismo e o preconceito, seus subprodutos tóxicos, parece que renasce todo dia como a cabeça de uma hidra de Lerna.


Lembremo-nos, quando uma mulher é agredida, todas as mulheres o são.

2 comentários:

Cecília Camargo disse...

Novos taliBÃS

Bakunin já dizia que enquanto houvesse um homem escravo, toda a humanidade seria escrava. Essa máxima vale também quanto a violência contra a mulher. Quase todas as pessoas vêem como atrasado e horrendo o comportamento dos talibãs que violentam e agridem as mulheres, escondendo-se atrás de uma moralidade religiosa questionável.
Porém o que me choca é ver a mesma atitude em uma instituição que “se diz” educacional. Ao expulsar a aluna que foi de vestido curto e sofreu um dos atos mais repugnantes de agressão dos últimos anos, alegando que a culpa pela violência foi dela, voltamos aos tempos em que as mulheres eram obrigadas a usar cintos de castidade para não serem violentadas só pelo fato de estarem andando sozinhas.
Fala-se muito em currículo oculto e em sua importância para a manutenção de hábitos e costumes. Quando tomou a atitude de expulsar a aluna, o tal instituto de ensino deixou em seu currículo oculto o ensinamento de que se uma mulher é insinuante ela deve ser agredida sexualmente, em público, como Madalena que seria apedrejada em praça pública se Cristo não tivesse intervido.
A turba de criminosos que só se manifestaram por estarem em grupo, só escancarou o machismo e a atitude covarde de homens que se sentem ameaçados em sua sexualidade, ao verem uma mulher que se destaca, seja na maneira de se vestir ou nas atitudes de vida que se coloca.
Não vou entrar no mérito se o traje era adequado ou não, mas o que importa é que qualquer cidadão brasileiro tem o direito constitucional de andar como quiser, sem ser molestado.
O que se percebe é que ao contrário do que falam por aí, o direito de igualdade entre homens e mulheres ainda está longe de ser atingido. Muitos homens ainda sentem as mulheres como uma ameaça ao seu poderio de macho.
Ainda bem que na Faculdade em que me formei, em seu currículo oculto, sempre estiveram presentes a igualdade e o respeito a diversidade, com certeza nos transformando em seres humanos melhores. O que me preocupa é saber quem serão os seres humanos que sairão formados dessa dita instituição de ensino, com letras minúsculas sim.


Cecília A. B. Camargo

♣* disse...

Oi Edson!

Bacana o seu blog... Parabéns!

E também é muito legal você participar do "Lobas que Correm".

Os homens não se aproximam muito dali...

Grande abraço,

Adriana.